{"id":19403,"date":"2011-12-30T00:16:50","date_gmt":"2011-12-30T04:16:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blogviejo.sld.cu\/marionod\/?p=19403"},"modified":"2011-12-30T00:16:50","modified_gmt":"2011-12-30T04:16:50","slug":"centro-de-estudos-de-venenos-e-animais-peconhentos-cevap-emergencias-medicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sld.cu\/marionod\/2011\/12\/30\/centro-de-estudos-de-venenos-e-animais-peconhentos-cevap-emergencias-medicas\/","title":{"rendered":"Centro de Estudos de Venenos e Animais Pe\u00e7onhentos &#8211; CEVAP. Emerg\u00eancias M\u00e9dicas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Centro de Estudos de Venenos e Animais Pe\u00e7onhentos &#8211; CEVAP. Emerg\u00eancias M\u00e9dicas<\/strong><\/p>\n<p>El <a href=\"http:\/\/www.cevap.org.br\/\" target=\"_blank\">Centro de Estudios de Venenos y Animales Venenosos &#8211; CEVAP<\/a> ha publicado este art\u00edculo que trata de los protocolos de tratamiento de las emergencias m\u00e9dicas en los casos de mordeduras de serpientes y otros animales venenosos<strong>. <\/strong>Idioma: portugues<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emerg\u00eancias M\u00e9dicas<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Acidentes  Of\u00eddicos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Identifica\u00e7\u00e3o e  classifica\u00e7\u00e3o das serpentes brasileiras<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Epidemiologia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Patogenia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Quadro  cl\u00ednico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Diagn\u00f3stico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Tratamento<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Profilaxia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Acidentes por artr\u00f3podes  pe\u00e7onhentos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Aranhas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Escorpi\u00f5es<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Abelhas e  vespas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Lacraias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Lagartas  venenosas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> O teste al\u00e9rgico e o  tratamento das rea\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"> Refer\u00eancias<\/span><\/p>\n<h5><span style=\"color: #000080\">ACIDENTES POR ANIMAIS PE\u00c7ONHENTOS<\/span><\/h5>\n<h5>Benedito Barraviera<\/h5>\n<h5>Rui Seabra Ferreira  J\u00fanior<\/h5>\n<h5><span style=\"color: #000080\">Acidentes  Of\u00eddicos<\/span><\/h5>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>As serpentes s\u00e3o as principais causadoras de acidentes por animais pe\u00e7onhentos no Brasil. No mundo existem cerca de 3.000 esp\u00e9cies de serpentes, sendo 410 consideradas venenosas. As esp\u00e9cies venenosas encontradas no Brasil s\u00e3o: Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Identifica\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o das serpentes  brasileiras<\/span><\/p>\n<p>As serpentes brasileiras venenosas e n\u00e3o venenosas s\u00e3o distribu\u00eddas dentro de quatro fam\u00edlias, a saber: Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia Boidae \u00e9 constitu\u00edda de serpentes que ao se alimentar matam a presa por constric\u00e7\u00e3o. Pertencem a esta fam\u00edlia a jib\u00f3ia (Boa constrictor), a sucuri ou anaconda (Eunectus murinus) e a cobra papagaio (Corallus caninus). Todas estas serpentes apresentam denti\u00e7\u00e3o do tipo \u00e1glifa (a=aus\u00eancia, gliph\u00e9=sulco), que s\u00e3o dentes pequenos, todos iguais e sem a presen\u00e7a de presas inoculadoras. Estas s\u00e3o as verdadeiras serpentes n\u00e3o pe\u00e7onhentas.<\/p>\n<p>As serpentes pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Colubridae podem apresentar denti\u00e7\u00e3o dos tipos \u00e1glifa ou opist\u00f3glifa (ophistos=atr\u00e1s, gliph\u00e9=sulco) que \u00e9 constitu\u00edda de dois ou mais dentes posteriores com um sulco anterior ou lateral por onde sai o veneno. S\u00e3o exemplos as falsas corais (Liophis frenatus), as mu\u00e7uranas (Cl\u00e9lia cl\u00e9lia), a cobra verde (Philodryas olfersii), a cobra d\u2019\u00e1gua (Liophis miliaris), as dormideiras (Dipsas albifrons e Sibynomorphus mikanii). A jararacu\u00e7u do brejo (Mastigodryas bifossatus), a caninana (Spilotes pullatus) e a boipeva (Waglerophis merremii), apresentam denti\u00e7\u00e3o do tipo \u00e1glifa.<\/p>\n<p>As serpentes pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Elapidae, denominadas de corais verdadeiras, apresentam denti\u00e7\u00e3o do tipo proter\u00f3glifa (protero=anterior, gliph\u00e9=sulco) que \u00e9 constitu\u00edda de um par de dentes ou presas anteriores, bem desenvolvidos, com um canal central, por onde \u00e9 inoculado o veneno. Incluem as serpentes do g\u00eanero Micrurus. Estas serpentes s\u00e3o respons\u00e1veis por menos de 1% dos acidentes of\u00eddicos no Brasil.<\/p>\n<p>As serpentes da fam\u00edlia Viperidae incluem os g\u00eaneros Bothrops, Crotalus, Lachesis, Porthidium e Bothriopsis. A denti\u00e7\u00e3o do tipo solen\u00f3glifa (soleno=canal, gliph\u00e9=sulco) \u00e9 constitu\u00edda de um par de dentes ou presas anteriores, bem desenvolvidos, com canal central e maxilar m\u00f3vel. As serpentes do g\u00eanero Bothrops s\u00e3o respons\u00e1veis pela maioria (entre 80 a 90%) dos acidentes of\u00eddicos no Brasil. Possuem as seguintes caracter\u00edsticas: cabe\u00e7a triangular, olhos pequenos com pupila em fenda, presen\u00e7a de fosseta loreal e escamas na cabe\u00e7a, denti\u00e7\u00e3o solen\u00f3glifa, cauda sem guizo, pele com desenhos semelhantes ao da letra V invertida. S\u00e3o as jararacas, urutus, jararacussus, cai\u00e7acas, etc&#8230;<\/p>\n<p>As serpentes do g\u00eanero Crotalus, popularmente conhecidas por cascav\u00e9is, boicininga ou maracab\u00f3ia, possuem na cauda um guizo ou chocalho. S\u00e3o respons\u00e1veis por 10 a 20% dos acidentes of\u00eddicos no Brasil. As caracter\u00edsticas s\u00e3o as seguintes: cabe\u00e7a triangular, olhos pequenos com pupila em fenda, presen\u00e7a de fosseta loreal e escamas na cabe\u00e7a, denti\u00e7\u00e3o solen\u00f3glifa, cauda com guizo ou chocalho.<\/p>\n<p>As serpentes do g\u00eanero Lachesis, popularmente conhecidas por surucucu, surucucu-pico-de-jaca ou surucutinga, possuem cauda com escamas arrepiadas no final. S\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 3% dos acidentes of\u00eddicos no Brasil.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Epidemiologia<\/span><\/p>\n<p>No Brasil ocorrem por ano cerca de 20.000 casos de acidentes of\u00eddicos, sendo 2.000 deles no Estado de S\u00e3o Paulo. A maioria dos acidentes ocorre no ver\u00e3o, ou seja, entre Janeiro e Abril de cada ano.<\/p>\n<p>Os indiv\u00edduos do sexo masculino (74,84%), na faixa et\u00e1ria entre 15 e 49 anos e lavradores s\u00e3o os mais acometidos. Nestes casos trata-se de acidente do trabalho. As regi\u00f5es do corpo mais acometidas s\u00e3o os membros inferiores (62,75%), seguidas dos membros superiores (12,15%).<\/p>\n<p>Em que pese pequenas varia\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel estimar a gravidade dos acidentes of\u00eddicos. Em ordem decrescente a gravidade seria a seguinte: Elap\u00eddico&gt;Crot\u00e1lico&gt;Laqu\u00e9tico&gt;Botr\u00f3pico.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Patogenia<\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Bothrops<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>As serpentes do g\u00eanero Bothrops possuem venenos com a\u00e7\u00f5es coagulante, proteol\u00edtica e vasculot\u00f3xica.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o coagulante \u2013 \u00c9 a propriedade que o veneno das serpentes dos g\u00eaneros Bothrops, Crotalus e Lachesis tem de transformar diretamente o fibrinog\u00eanio em fibrina, tornando o sangue incoagul\u00e1vel.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o proteol\u00edtica \u2013 A a\u00e7\u00e3o proteol\u00edtica, tamb\u00e9m denominada de necrosante, decorre da a\u00e7\u00e3o citot\u00f3xica direta nos tecidos por fra\u00e7\u00f5es proteol\u00edticas do veneno. Pode haver liponecrose, mionecrose e lise das paredes vasculares.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o vasculot\u00f3xica \u2013 O veneno das serpentes do g\u00eanero Bothrops pode causar hemorragias local ou sist\u00eamica em n\u00edvel de pulm\u00f5es, c\u00e9rebro e rins. O edema no local da picada, que em geral ocorre minutos ap\u00f3s o acidente, \u00e9 decorrente de les\u00e3o t\u00f3xica no endot\u00e9lio de vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Outras a\u00e7\u00f5es \u2013 Os acidentes botr\u00f3picos podem ser acompanhados de choque, com ou sem causa definida. Entre eles, a hipovolemia por perda de sangue ou plasma no membro edemaciado, a ativa\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias hipotensoras, o edema pulmonar e a coagula\u00e7\u00e3o intravascular disseminada.<\/p>\n<p>A insufici\u00eancia renal pode-se instalar por a\u00e7\u00e3o direta ou secund\u00e1ria a complica\u00e7\u00f5es em que o choque est\u00e1 presente.<\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Crotalus<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>As serpentes do g\u00eanero Crotalus possuem veneno com a\u00e7\u00f5es miot\u00f3xica, neurot\u00f3xica e coagulante.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o miot\u00f3xica &#8211; A atividade miot\u00f3xica sist\u00eamica \u00e9 caracterizada pela libera\u00e7\u00e3o de mioglobina para o sangue e urina. O diagn\u00f3stico de rabdomi\u00f3lise pode ser comprovado pela eleva\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis s\u00e9ricos de creatina quinase (CK), desidrogenase l\u00e1ctica (DHL) e aspartato amino transferase (AST). A confirma\u00e7\u00e3o laboratorial da rabdomi\u00f3lise pode ser obtida pela detec\u00e7\u00e3o de mioglobina em soro e urina.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o neurot\u00f3xica \u2013 As fra\u00e7\u00f5es neurot\u00f3xicas do veneno crot\u00e1lico s\u00e3o aquelas que produzem efeitos tanto em n\u00edvel de sistema nervoso central, quanto perif\u00e9rico. Um dos importantes efeitos \u00e9 o bloqueio da transmiss\u00e3o neuromuscular, que sugerem as paralisias motoras e respirat\u00f3rias no acidente crot\u00e1lico.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Micrurus<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>As serpentes do g\u00eanero Micrurus possuem venenos com a\u00e7\u00e3o neurot\u00f3xica.<\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Lachesis<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>O veneno das serpentes do g\u00eanero Lachesis possui a\u00e7\u00f5es coagulante, necrosante e vasculot\u00f3xica.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Quadro  cl\u00ednico<\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Bothrops:<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sintomatologia local: Imediatamente ap\u00f3s a picada, em geral nos primeiros 30 minutos, ocorrem dor, edema, eritema e calor local. A dor \u00e9 imediata, de intensidade vari\u00e1vel, podendo ser o \u00fanico sintoma. O edema endurado, acompanhado de calor e rubor, pode estar ausente no in\u00edcio, mas instala-se dentro das primeiras seis horas. A instala\u00e7\u00e3o de bolhas, equimoses e necroses em geral ocorre ap\u00f3s 12 horas do acidente, casos em que podem advir as complica\u00e7\u00f5es infecciosas.<\/p>\n<p>Tempo de coagula\u00e7\u00e3o: O tempo de coagula\u00e7\u00e3o e o tempo de tromboplastina parcial ativada est\u00e3o aumentados pela a\u00e7\u00e3o coagulante do veneno. O tempo de coagula\u00e7\u00e3o \u00e9 exame \u00fatil, de f\u00e1cil execu\u00e7\u00e3o, podendo ser realizado em l\u00e2mina e\/ou em tubo simples de vidro. O tempo de coagula\u00e7\u00e3o normal varia entre tr\u00eas e seis minutos, podendo ser indeterminado nos acidentes botr\u00f3picos.<\/p>\n<p>Hemorragia local e sist\u00eamica: As hemorragias podem ocorrer no local\u00a0 da picada ou em pontos distantes, tais como gengivas (gengivorragia), nariz (epistaxe), tubo digestivo alto (hemat\u00eamese), rins (hemat\u00faria) e \u00e0s vezes na borda do leito ungueal.<\/p>\n<p>Complica\u00e7\u00f5es: As principais complica\u00e7\u00f5es locais s\u00e3o a necrose prim\u00e1ria, em decorr\u00eancia da a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio veneno, ou a secund\u00e1ria, por efeito de infec\u00e7\u00e3o bacteriana. Esta \u00faltima em geral est\u00e1 associada a germes Gram-negativos, tais como a Morganella morganii, Escherichia coli, Providencia sp, Klebsiella sp, Enterobacter sp e raramente por germes Gram-positivos, entre eles o Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis.<\/p>\n<p>A mortalidade pelo acidente botr\u00f3pico \u00e9 baixa. As causas, em geram, s\u00e3o insufici\u00eancia renal aguda e hemorragias incontrol\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Crotalus<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>Em geral, n\u00e3o h\u00e1 rea\u00e7\u00e3o local, embora um pequeno edema possa estar presente. A dor no local da picada \u00e9 pouco freq\u00fcente.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o em geral fica adormecida poucos minutos ap\u00f3s e permanece assim por v\u00e1rias semanas ou meses.<\/p>\n<p>A miotoxicidade do veneno \u00e9 evidenciada do ponto de vista cl\u00ednico pela intensa mialgia generalizada, podendo ser acompanhada de edema muscular discreto.<\/p>\n<p>A neurotoxicidade ocorre ap\u00f3s algumas horas e o doente passa a referir dor na regi\u00e3o do pesco\u00e7o, diminui\u00e7\u00e3o e at\u00e9 perda da vis\u00e3o, ptose palpebral bilateral, sonol\u00eancia e obnubila\u00e7\u00e3o. O f\u00e1cies \u00e9 caracter\u00edstico e denominado \u201cf\u00e1cies neurot\u00f3xico de Rosenfeld\u201d. Ao exame neurol\u00f3gico, encontram-se hiporreflexia global e comprometimento do II par craniano, evidenciado pelo exame de fundo de olho, onde pode-se observar borramento de papila e ingurgitamento venoso bilateral. O comprometimento dos III, IV e VI pares cranianos \u00e9 evidenciado por ptose palpebral bilateral, diplopia, plegia de m\u00fasculos da p\u00e1lpebra, midr\u00edase bilateral semiparal\u00edtica e diminui\u00e7\u00e3o de reflexos fotomotores. Al\u00e9m disso, podem-se verificar movimentos nistagm\u00f3ides, plegia dos movimentos do olhar conjugado, tontura, altera\u00e7\u00f5es da gusta\u00e7\u00e3o e hiposmia e\/ou anosmia. A insufici\u00eancia respirat\u00f3ria pode ocorrer em alguns casos. Cefal\u00e9ia intensa, febre, hipertens\u00e3o arterial e\/ou hipotens\u00e3o arterial acompanhada de taqui e\/ou bradicardia s\u00e3o sintomas que lembram a s\u00edndrome de hiperreatividade simp\u00e1tica. Esses sintomas acompanham casos graves e, em geral, atendidos tardiamente, desaparecendo espontaneamente ap\u00f3s a primeira semana.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es renais, evidenciadas pela urina escura e\/ou vermelha, costumam ocorrer ap\u00f3s 24 a 48 horas do acidente. Nos casos que evoluem para insufici\u00eancia renal aguda, o quadro cl\u00ednico \u00e9 o cl\u00e1ssico descrito.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es hematol\u00f3gicas, principalmente a incoagulabilidade sangu\u00ednea, ocorrem ap\u00f3s algumas horas do acidente, entretanto involuem com o tratamento adequado.<\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Micrurus<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>Nos acidentes elap\u00eddicos, a sintomatologia ocorre minutos ap\u00f3s, em virtude do baixo peso molecular das neurotoxinas. A sintomatologia predominante \u00e9 a neurot\u00f3xica e o doente apresenta f\u00e1cies miast\u00eanica, com ptose palpebral bilateral, paralisia fl\u00e1cida dos membros. O quadro \u00e9 mais grave que o dos acidentes crot\u00e1licos, devido \u00e0 elevada incid\u00eancia de paralisia respirat\u00f3ria de instala\u00e7\u00e3o s\u00fabita.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Lachesis<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas s\u00e3o semelhantes \u00e0s do envenenamento botr\u00f3pico. Nesse sentido, os doentes picados por essas serpentes costumam apresentar, momentos ap\u00f3s, intensa sintomatologia no local da picada. A dor, o edema, o calor e o rubor s\u00e3o semelhantes ao do acidente botr\u00f3pico, podendo ser confundido com este. O tempo de coagula\u00e7\u00e3o pode alterar-se, contribuindo para as hemorragias sist\u00eamicas muitas vezes observadas. Al\u00e9m disso, o doente pode apresentar sintomas de excita\u00e7\u00e3o vagal, tais como bradicardia, diarr\u00e9ia, hipotens\u00e3o arterial e choque. As complica\u00e7\u00f5es observadas neste tipo de acidente s\u00e3o as mesmas do acidente botr\u00f3pico.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro  1<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> &#8211; Resumo geral do quadro cl\u00ednico dos acidentes causados por serpentes  dos g\u00eaneros <em>Bothrops<\/em>, <em>Lachesis<\/em>, <em>Micrurus<\/em> e  <em>Crotalus<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"120\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">G\u00caNERO DA SERPENTE<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"206\">\n<h3><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">A\u00c7\u00d5ES DO  VENENO<\/span><\/h3>\n<\/td>\n<td width=\"142\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">SINTOMAS E SINAIS (AT\u00c9 6 HORAS AP\u00d3S O  ACIDENTE)<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"131\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">SINTOMAS E SINAIS (12 HORAS AP\u00d3S O  ACIDENTE)<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"120\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-size: x-small\">Bothrops<\/span><span style=\"font-size: x-small\"> (*)<\/span><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<td width=\"112\"><span style=\"font-size: x-small\">Proteol\u00edtica  Coagulante Hemorr\u00e1gica<\/span><\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"95\">\n<h1><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Altera\u00e7\u00f5es  locais evidentes<\/span><\/h1>\n<\/td>\n<td width=\"142\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Dor, edema,  calor e rubor imediatos no local da picada. Aumento do tempo de coagula\u00e7\u00e3o (TC).  Hemorragias e choque nos casos graves<\/span><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Bolhas,  equimoses, necrose, olig\u00faria e an\u00faria (insufici\u00eancia renal  aguda)<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"120\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Lachesis<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<td width=\"112\"><span style=\"font-size: x-small\">Proteol\u00edtica  Coagulante Hemorr\u00e1gica \u201cNeurot\u00f3xica\u201d<\/span><\/td>\n<td colspan=\"3\" width=\"272\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Poucos casos  estudados; manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas semelhantes aos acidentes por <em>Bothrops<\/em>,  acrescidas de sinais de excita\u00e7\u00e3o vagal (bradicardia, hipotens\u00e3o arterial e  diarr\u00e9ia)<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"120\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Micrurus<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<td width=\"112\">\n<h4><span style=\"font-size: x-small\">Neurot\u00f3xica<\/span><\/h4>\n<\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"95\"><span style=\"font-size: x-small\">Altera\u00e7\u00f5es  locais discretas ou ausentes<\/span><\/td>\n<td colspan=\"3\" width=\"272\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Ptose  palpebral (f\u00e1cies miast\u00eanico \u2013 \u201cneurot\u00f3xica\u201d) diplopia, oftalmoplegia,  sialorr\u00e9ia, dificuldade de degluti\u00e7\u00e3o e insufici\u00eancia respirat\u00f3ria aguda de  instala\u00e7\u00e3o precoce.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"120\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Crotalus<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<td width=\"112\"><span style=\"font-size: x-small\">Coagulante<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Miot\u00f3xica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Neurot\u00f3xica<\/span><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"151\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Aumento do  tempo de coagula\u00e7\u00e3o (TC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Mialgia  generalizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Altera\u00e7\u00f5es  visuais: diplopia, anisocoria, ptose palpebral, dores musculares (f\u00e1cies  neurot\u00f3xico de Rosenfeld)<\/span><\/td>\n<td width=\"121\"><span style=\"font-size: x-small\">Urina cor de  \u201c\u00e1gua de carne\u201d. Evolui com mioglobin\u00faria, an\u00faria e insufici\u00eancia renal  aguda.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"120\"><\/td>\n<td width=\"112\"><\/td>\n<td width=\"95\"><\/td>\n<td width=\"142\"><\/td>\n<td width=\"9\"><\/td>\n<td width=\"121\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">(*) <\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\">Incluem os  g\u00eaneros <em>Porthidium <\/em>e <em> Bothriopsis<\/em>. Deve-se salientar que os  acidentes causados por filhotes de <em>Bothrops<\/em> (&lt;40 cm) podem apresentar  como \u00fanico elemento diagn\u00f3stico a altera\u00e7\u00e3o do tempo de coagula\u00e7\u00e3o  (TC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Diagn\u00f3stico<\/span><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de certeza do acidente of\u00eddico deve ser feito pela identifica\u00e7\u00e3o da serpente. Se isto n\u00e3o for poss\u00edvel, devemos nos orientar pelo quadro cl\u00ednico apresentado pelo paciente.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Tratamento<\/span><\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: x-small\">\u201cA precocidade do  atendimento m\u00e9dico \u00e9 fator fundamental na evolu\u00e7\u00e3o e no progn\u00f3stico do  doente\u201d<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Medidas  gerais:<\/strong><\/p>\n<p>An\u00e9is e alian\u00e7as devem ser retirados do dedo atingido, pois o edema pode tornar-se intenso, produzindo um sistema de garrote. O uso de torniquete, com a finalidade de reter o veneno no local da picada, \u00e9 contra-indicado para os acidentes botr\u00f3picos. \u00c9 tamb\u00e9m contra-indicado utilizar instrumentos cortantes com a finalidade de fazer cortes ao redor da picada, pois os venenos possuem fra\u00e7\u00f5es proteol\u00edticas que ir\u00e3o atuar nesses locais, piorando muito a necrose.<\/p>\n<p>O doente deve ser colocado em repouso e transportado rapidamente para um hospital, onde deve receber tratamento espec\u00edfico. A imunoprofilaxia contra o t\u00e9tano deve ser realizada de acordo com o quadro 8.<\/p>\n<p>O soro antiof\u00eddico a ser aplicado deve ser espec\u00edfico para o g\u00eanero ao qual a serpente pertence. Deve ser administrado o mais precocemente poss\u00edvel, em dose \u00fanica, de prefer\u00eancia pela via intravenosa, com o objetivo de neutralizar a pe\u00e7onha antes que ela possa ter causado dano.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 soroterapia podem ser imediatas (anafil\u00e1ticas, anafilact\u00f3ides e pirog\u00eanicas) ou tardias, manifestando-se seis a 10 dias ap\u00f3s, pela doen\u00e7a do soro.<\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Bothrops<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento do acidente botr\u00f3pico consiste em se internar o doente, coloc\u00e1-lo em repouso e na posi\u00e7\u00e3o de drenagem postural, para que ocorra a remiss\u00e3o mais r\u00e1pida do edema. Para isso, deve-se mant\u00ea-lo em dec\u00fabito dorsal horizontal com o membro atingido elevado, de tal forma que permane\u00e7a acima do plano que tangencia o prec\u00f3rdio. Quando necess\u00e1rio, deve ser feito o tratamento local das les\u00f5es com banhos anti-s\u00e9pticos, do tipo permanganato de pot\u00e1ssio na dilui\u00e7\u00e3o de 1:40.000. Al\u00e9m disso, quando houver infec\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, indica-se a associa\u00e7\u00e3o sulfametoxazol e trimetoprim (Bactrim F\u00ae), um comprimido a cada 12 horas pela via oral. O uso de antibi\u00f3ticos do tipo clindamicina (Dalacin C\u00ae) e\/ou cloranfenicol (Quemicetina\u00ae) \u00e9 indicado para os casos em que ocorre infec\u00e7\u00e3o por germes anaer\u00f3bios. A clindamicina \u00e9 empregada na dose de 20 a 30 mg\/Kg de peso por dia pela via oral e o cloranfenicol na dose de 50 a 100 mg\/Kg de peso, tamb\u00e9m pela via oral. Quando ocorre falha terap\u00eautica, antibi\u00f3ticos dos tipos cefalosporinas e\/ou aminoglicos\u00eddeos podem ser utilizados. Entre as cefalosporinas, temos dado prefer\u00eancia \u00e0 cefalexina (Keflex\u00ae), por ser um antibi\u00f3tico de emprego pela via oral. A dose preconizada \u00e9 de 40 a 50 mg\/Kg de peso corporal por dia. Quando ocorre evidente forma\u00e7\u00e3o de abscesso, a drenagem cir\u00fargica est\u00e1 indicada, em geral associada \u00e0 antibioticoterapia. Atualmente temos dado prefer\u00eancia \u00e0 cefuroxima (Zinnat\u00ae) nas doses de 125 a 250 mg\/dose, duas vezes ao dia, pela via oral. A vacina antitet\u00e2nica est\u00e1 indicada e o soro antitet\u00e2nico dever\u00e1 ser aplicado quando ocorrer acidente grave com extensas \u00e1reas necrosadas.<\/p>\n<p>O tempo de coagula\u00e7\u00e3o tem sido usado como par\u00e2metro de efic\u00e1cia da dose de soro empregada. Se, ap\u00f3s 12 horas do in\u00edcio do tratamento, o sangue do doente ainda estiver incoagul\u00e1vel, deve-se realizar soroterapia adicional na dose de 100 mg de antiveneno. As doses de soro preconizadas para os acidentes leve, moderado e grave s\u00e3o, respectivamente, de 100, 200 e 300 mg de soro antibotr\u00f3pico. Para os casos considerados muito graves, podem-se utilizar 400 mg ou mais. Devido a mudan\u00e7as nas padroniza\u00e7\u00f5es do soro produzido pelos institutos, atualmente tem-se preconizado quatro, oito e 12 ampolas de soro para os casos leves, moderados e graves, respectivamente. Quando n\u00e3o se dispuser do soro antibotr\u00f3pico o tratamento pode ser feito com o antibotr\u00f3pico-crot\u00e1lico ou antibotr\u00f3pico-laqu\u00e9tico. A dose deve ser de acordo com a gravidade cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Nos acidentes causados por Bothrops moojeni, tem sido indicada fasciotomia nos casos de edemas volumosos e progressivo do membro atingido. Essa conduta est\u00e1 contra-indicada quando existe anormalidade na coagula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. O equil\u00edbrio hidreletrol\u00edtico deve estar correto, pois pode ser fator agravante para o desenvolvimento de insufici\u00eancia renal aguda. Grandes volumes plasm\u00e1ticos ou sangu\u00edneos podem ficar seq\u00fcestrados no membro atingido, devendo ser considerado para o c\u00e1lculo do equil\u00edbrio hidreletrol\u00edtico.<\/p>\n<p>Nos pacientes em que ocorrer perda de fun\u00e7\u00e3o de grupos musculares est\u00e1 indicada a fisioterapia e, eventualmente, cirurgia pl\u00e1stica e ortop\u00e9dica corretivas. A amputa\u00e7\u00e3o somente deve ser realizada se a recupera\u00e7\u00e3o do membro n\u00e3o for mais poss\u00edvel. As principais complica\u00e7\u00f5es locais s\u00e3o principalmente a s\u00edndrome compartimental, abscessos e necroses especialmente quando a picada acomete extremidades (dedos). Nestes casos pode haver seq\u00fcela permanente.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro  2<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Classifica\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 gravidade e soroterapia recomendada para o  acidente botr\u00f3pico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"213\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES CLINICAS E TRATAMENTO  PROPOSTO(*)<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"3\" width=\"386\">\n<h3><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">CLASSIFICA\u00c7\u00c3O DA  GRAVIDADE<\/span><\/h3>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"123\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<td width=\"132\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADA<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"131\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Manifesta\u00e7\u00f5es  locais (dor, edema, equimose)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Discretas<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Evidentes<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Intensas<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Manifesta\u00e7\u00f5es  sist\u00eamicas (hemorragia grave, choque, an\u00faria)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausentes<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausentes ou  presentes<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Evidentes<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Tempo de  coagula\u00e7\u00e3o (TC) (**)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Normal<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Normal ou  alterado<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Alterado<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Quantidade  aproximada de veneno a ser neutralizada<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">100  mg<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">200  mg<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">300  mg<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Uso de  garrote<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente e\/ou  presente<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente e\/ou  presente<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">TA (****) <\/span><span style=\"font-size: x-small\">(horas)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">&lt;6<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">6<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">&gt;6<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Soroterapia  (n\u00famero de ampolas de soro) (SAB, SABC, SABL) (***)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">2 a 4<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">4 a 8<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">8 a 12<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\"><span style=\"font-size: x-small\">Via de  administra\u00e7\u00e3o<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">(*)<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><span style=\"font-size: x-small\">O doente deve ser mantido internado e a classifica\u00e7\u00e3o da gravidade \u00e9  feita no momento da chegada ao Hospital. Este processo \u00e9 evolutivo e pode mudar  durante a interna\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">(**)<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span>TC normal: at\u00e9 10 minutos; TC  prolongado: de 10 a 30 minutos; TC incoagul\u00e1vel: &gt; 30 minutos.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">(***) <\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\">SAB = soro  antibotr\u00f3pico, SABC = soro antibotr\u00f3pico-crot\u00e1lico, SABL = soro  antibotr\u00f3pico-laqu\u00e9tico.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">(****)<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> TA \u2013 tempo  decorrido entre o acidente e o atendimento m\u00e9dico em horas.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Observa\u00e7\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> A  determina\u00e7\u00e3o do TC (tempo de coagula\u00e7\u00e3o) tem sido usada como par\u00e2metro de  efic\u00e1cia da dose de antiveneno. Se ap\u00f3s 24 horas do in\u00edcio do tratamento o  sangue ainda estiver incoagul\u00e1vel, est\u00e1 indicada dose adicional de 100 mg de  antiveneno. Uma ampola de soro (10 ml) neutraliza 50 mg do veneno refer\u00eancia  (<em>Bothrops jararaca<\/em>).<\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Crotalus<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>O acidente crot\u00e1lico \u00e9 sempre uma emerg\u00eancia m\u00e9dica. O doente deve ser colocado em repouso absoluto e encaminhado imediatamente para um hospital.<\/p>\n<p>O tratamento espec\u00edfico \u00e9 realizado com soro anticrot\u00e1lico ou pela fra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do soro antiof\u00eddico, administrando-se doses sempre superiores a 150 mg, por via intravenosa ou subcut\u00e2nea.<\/p>\n<p>O tratamento complementar, a fim de se evitar a insufici\u00eancia renal aguda, consiste em hidratar o doente por via intravenosa, infundindo 1 a 2 litros de soro fisiol\u00f3gico, a uma velocidade que deve ser em torno de 60 a 80 gotas\/minuto. A seguir, induzir a diurese osm\u00f3tica com 100 ml de manitol a 20% por via intravenosa, que deve ser mantido a cada seis horas por um per\u00edodo de tr\u00eas a cinco dias, em fun\u00e7\u00e3o da gravidade cl\u00ednica e da resposta terap\u00eautica. O manitol, al\u00e9m de diur\u00e9tico osm\u00f3tico, ainda contribui sobremaneira para diminuir o edema cerebral e da musculatura esquel\u00e9tica.<\/p>\n<p>Deve-se tamb\u00e9m fazer uso de bicarbonato de s\u00f3dio a 5%, 50 ml por via oral a cada seis horas para alcalinizar a urina e evitar les\u00f5es renais que s\u00e3o favorecidas pelo pH \u00e1cido. Ap\u00f3s 12 horas de interna\u00e7\u00e3o, reavaliar o tempo de coagula\u00e7\u00e3o. Se este ainda encontrar-se alterado, suplementar a soroterapia anticrot\u00e1lica na dose de 100 mg.<\/p>\n<p>Se o doente evoluir com an\u00faria, avaliar a fun\u00e7\u00e3o renal pela dosagem de ur\u00e9ia, creatinina, bem como os n\u00edveis de s\u00f3dio, pot\u00e1ssio e c\u00e1lcio. Constatada a insufici\u00eancia renal aguda, indicar a hemodi\u00e1lise. As manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas renais e neurol\u00f3gicas observadas nesses doentes s\u00e3o revers\u00edveis.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro  3<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Classifica\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 gravidade e soroterapia preconizada para o  acidente crot\u00e1lico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"213\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES CL\u00cdNICAS E TRATAMENTO  PROPOSTO(*)<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"3\" width=\"386\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">CLASSIFICA\u00c7\u00c3O DA GRAVIDADE<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"123\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<td width=\"132\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADA<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"131\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">F\u00e1cies  miast\u00eanica \/ vis\u00e3o turva<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente ou  tardia<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Discreta ou  evidente<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Evidente<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Mialgia<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente ou  discreta<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Discreta<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Intensa<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Urina vermelha  ou marrom<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Pouco evidente  ou ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Presente<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Olig\u00faria\/an\u00faria<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Presente ou  ausente<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Tempo de  coagula\u00e7\u00e3o (TC)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Normal<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Normal ou  alterado<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Alterado<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Quantidade  aproximada de veneno a ser neutralizada<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">100 mg<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">200 mg<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">300 mg<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Soroterapia  (n\u00famero de ampolas de soro) (SAC, SABC(**)<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">5<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">10<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">20<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"213\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Via de  administra\u00e7\u00e3o<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa<\/span><\/td>\n<td width=\"131\"><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*) O doente  deve ficar sempre internado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(**) SAC =  soro anticrot\u00e1lico, SABC = soro antibotr\u00f3pico-crot\u00e1lico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Uma ampola de soro (10 ml) neutraliza  15 mg de veneno refer\u00eancia (<em>Crotalus d. terrificus<\/em>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Micrurus<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>O soro espec\u00edfico antielap\u00eddico deve ser aplicado por via intravenosa, em quantidade suficiente para neutralizar 150 mg de veneno. O bloqueio da jun\u00e7\u00e3o mioneural, em alguns acidentes elap\u00eddicos, ocorre p\u00f3s-sinapticamente. A revers\u00e3o desse bloqueio \u00e9 poss\u00edvel, portanto, atrav\u00e9s do uso de anticolinester\u00e1sicos. Dessa forma, o tratamento da insufici\u00eancia respirat\u00f3ria aguda, quando presente, poder\u00e1 ser tentado com anticolinester\u00e1sicos, enquanto o paciente \u00e9 removido para centros m\u00e9dicos que disponham de recursos de assist\u00eancia ventilat\u00f3ria mec\u00e2nica.<\/p>\n<p>O esquema indicado \u00e9 o seguinte: cinco inje\u00e7\u00f5es intravenosas de 0,5 mg de neostigmina (Prostigmine \u00ae, 1 ml = 0,5mg), com intervalos de 30 minutos entre cada administra\u00e7\u00e3o; em seguida, administrar a mesma quantidade de neostigmina (0,5 mg) a intervalos progressivamente maiores, conforme a resposta cl\u00ednica, at\u00e9 que ocorra a recupera\u00e7\u00e3o completa, o que acontece em torno de 24 horas.<\/p>\n<p>Cada administra\u00e7\u00e3o de neostigmina deve ser precedida de uma inje\u00e7\u00e3o intravenosa de 0,6 mg de sulfato de atropina (Atropina\u00ae, 1 ml = 0,5mg), para se obter o aumento da freq\u00fc\u00eancia do pulso, na ordem de 20 batimentos por minuto.<\/p>\n<p>Diante da possibilidade de haver ou n\u00e3o resposta aos colinester\u00e1sicos, dependendo do tipo de bloqueio da jun\u00e7\u00e3o mioneural, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade recomenda a administra\u00e7\u00e3o de 10mg de cloridrato de edrof\u00f4nio (Tensilon\u00ae, 1 ml = 10mg), por via intravenosa, cujo efeito se far\u00e1 sentir imediatamente ap\u00f3s a inje\u00e7\u00e3o. Nos casos em que houver melhora, deve-se utilizar o esquema de uso de anticolinester\u00e1sicos citado. Para as crian\u00e7as usar o esquema descrito no quadro 4.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 4<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Esquema terap\u00eautico indicado para adultos e crian\u00e7as. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"199\">\n<h3><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">MEDICAMENTO<\/span><\/h3>\n<\/td>\n<td width=\"183\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">CRIAN\u00c7AS<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"180\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">ADULTOS<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"199\"><span style=\"font-size: x-small\">Atropina<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(ampola 0,25 mg)<\/span><\/td>\n<td width=\"183\"><span style=\"font-size: x-small\">0,05 mg\/Kg IV<\/span><\/td>\n<td width=\"180\"><span style=\"font-size: x-small\">0,5 mg IV<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"199\"><span style=\"font-size: x-small\">Neostigmina<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(ampola 0,5 mg)<\/span><\/td>\n<td width=\"183\"><span style=\"font-size: x-small\">0,05 mg\/Kg IV<\/span><\/td>\n<td width=\"180\"><span style=\"font-size: x-small\">0,05 mg\/Kg IV<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"199\"><span style=\"font-size: x-small\">Tensilon<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(ampola 10 mg)<\/span><\/td>\n<td width=\"183\"><span style=\"font-size: x-small\">0,25 mg\/Kg IV<\/span><\/td>\n<td width=\"180\"><span style=\"font-size: x-small\">10 mg IV<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Observa\u00e7\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> cloridrato de  edrof\u00f4nio (Tensilon \u00ae, 1ml = 10 mg) \u00e9 um anticolinester\u00e1sico de a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida.  Apesar de n\u00e3o ser dispon\u00edvel comercialmente no Brasil, \u00e9 mais seguro e pode  substituir o uso da neostigmina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>Serpentes do  g\u00eanero <em>Lachesis<\/em>:<\/strong><\/p>\n<p>Estas serpentes inoculam grande quantidade de veneno; por isso preconiza-se o uso de 10 a 20 ampolas de soro antilaqu\u00e9tico ou antibotr\u00f3pico-laqu\u00e9tico, pela via endovenosa. O tratamento complementar e os cuidados que devem ser tomados s\u00e3o os mesmos da terapia antibotr\u00f3pica.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 5<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Acidentes laqu\u00e9tico e elap\u00eddico: orienta\u00e7\u00e3o para o tratamento  espec\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"113\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TIPO DE ACIDENTE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"228\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">ORIENTA\u00c7\u00c3O PARA O TRATAMENTO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"120\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">SOROTERAPIA EM AMPOLAS<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"138\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">VIA DE ADMINISTRA\u00c7\u00c3O DO SORO<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"113\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Laqu\u00e9tico<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"228\"><span style=\"font-size: x-small\">Poucos casos  estudados. Gravidade avaliada pelos sinais locais e intensidade das  manifesta\u00e7\u00f5es vagais. (bradicardia, hipotens\u00e3o arterial,  diarr\u00e9ia)<\/span><\/td>\n<td width=\"120\"><span style=\"font-size: x-small\">10 a 20 (*)<\/span><\/td>\n<td width=\"138\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa  (IV)<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"113\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Elap\u00eddico<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"228\"><span style=\"font-size: x-small\">Acidentes  raros. Pelo risco de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria aguda devem ser considerados  graves<\/span><\/td>\n<td width=\"120\"><span style=\"font-size: x-small\">10(**)<\/span><\/td>\n<td width=\"138\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">Intravenosa  (IV)<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*) SAL=soro  antilaqu\u00e9tico ou SABL=soro antibotr\u00f3pico-laqu\u00e9tico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(**) Uma  ampola de soro (10 ml) neutraliza 15 mg de veneno refer\u00eancia (<em>Micrurus  frontalis<\/em>)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 6<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Resumo geral das manifesta\u00e7\u00f5es  causadas por serpentes venenosas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"99\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">G\u00eanero da  serpente<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"4\" width=\"499\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"113\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Rea\u00e7\u00f5es locais<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"123\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">F\u00e1cies neurot\u00f3xico<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"130\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Mioglobin\u00faria<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"133\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Incoagulabilidade sang\u00fc\u00ednea<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"99\"><strong><em><span style=\"font-size: x-small\">Bothrops<\/span><\/em><\/strong><\/td>\n<td width=\"113\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">++++<\/span><\/td>\n<td width=\"123\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<td width=\"130\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<td width=\"133\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">++++<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"99\"><strong><em><span style=\"font-size: x-small\">Crotalus<\/span><\/em><\/strong><\/td>\n<td width=\"113\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">+<\/span><\/td>\n<td width=\"123\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">++++<\/span><\/td>\n<td width=\"130\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">++++<\/span><\/td>\n<td width=\"133\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">+++<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"99\"><strong><em><span style=\"font-size: x-small\">Micrurus<\/span><\/em><\/strong><\/td>\n<td width=\"113\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<td width=\"123\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">++++<\/span><\/td>\n<td width=\"130\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<td width=\"133\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"99\"><strong><em><span style=\"font-size: x-small\">Lachesis<\/span><\/em><\/strong><\/td>\n<td width=\"113\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">++++<\/span><\/td>\n<td width=\"123\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<td width=\"130\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<td width=\"133\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">+++<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 7<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Guia para profilaxia do t\u00e9tano em caso de acidente of\u00eddico  (*)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TIPO DE FERIMENTO<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"461\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Hist\u00f3ria de imuniza\u00e7\u00e3o com o tox\u00f3ide  tet\u00e2nico (DTP, dT, DT, TT)<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Leve, n\u00e3o  contaminado (originado por of\u00eddio elap\u00eddico e  n\u00e3o-pe\u00e7onhento)<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"274\">\n<h3><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Menos de tr\u00eas doses ou ignorada<\/span><\/h3>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">Tr\u00eas ou mais  doses<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"274\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">-Aplicar  tox\u00f3ide tet\u00e2nico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Em menor de  sete anos, aplicar DTP, completando tr\u00eas doses, com intervalos de dois meses  entre as doses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Sete anos ou  mais: aplicar tox\u00f3ide tet\u00e2nico (TT) ou dupla adulto (dT), completando tr\u00eas doses  com intervalos de dois meses entre as mesmas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-N\u00e3o aplicar  soro antitet\u00e2nico (SAT).<\/span><\/td>\n<td width=\"187\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">-S\u00f3 aplicar  tox\u00f3ide tet\u00e2nico ap\u00f3s decorridos mais de 10 anos da \u00faltima  dose.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-N\u00e3o aplicar  soro antitet\u00e2nico (SAT).<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Todos os  outros ferimentos, inclusive puntiformes (originados por of\u00eddio botr\u00f3pico,  laqu\u00e9tico e\/ou crot\u00e1lico)<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"274\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">-Aplicar  tox\u00f3ide tet\u00e2nico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Em menor de  sete anos, aplicar DTP, completando tr\u00eas doses, com intervalos de dois meses  entre as mesmas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Sete anos ou  mais: aplicar tox\u00f3ide tet\u00e2nico (TT) ou dupla adulto (dT), completando tr\u00eas doses  com intervalos de dois meses entre as mesmas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Aplicar soro  antitet\u00e2nico (SAT) em caso de necroses extensas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Administrar  5.000 unidades, via intramuscular, ou usar imunoglobulina antitet\u00e2nica (IGAT),  via intramuscular, 250 unidades.<\/span><\/td>\n<td width=\"187\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">-S\u00f3 aplicar  tox\u00f3ide tet\u00e2nico ap\u00f3s decorridos mais de 5 anos da \u00faltima  dose.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-N\u00e3o aplicar  soro antitet\u00e2nico (SAT)<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">DTP = vacina  tr\u00edplice bacteriana, dT = vacina dupla adulto, DT = vacina dupla infantil, TT =  vacina antitet\u00e2nica, SAT = soro antitet\u00e2nico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*) Adaptado  de Centers for Disease Control \u2013 Diphtheria, tetanus and pertussis: guidelines  for vaccine prophylaxis and other preventive measures. <em>Annals of Internal  Medicine<\/em>, 103:896-905, 1985.<\/span><\/p>\n<p><strong>Acidente por  serpentes consideradas \u201cn\u00e3o-pe\u00e7onhentas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As serpentes consideradas \u201cn\u00e3o pe\u00e7onhentas\u201d pertencem \u00e0 duas fam\u00edlias a saber: Colubr\u00eddeos e Bo\u00eddeos. Estes \u00faltimos n\u00e3o possuem veneno e alimentam-se matando a presa por constric\u00e7\u00e3o. As principais esp\u00e9cies s\u00e3o a jib\u00f3ia (Boa constrictor), sucuri (Eunectus murinus) e a cobra papagaio (Corallus caninus). Estas serpentes possuem denti\u00e7\u00e3o do tipo \u00e1glifa (dentes iguais e aus\u00eancia de presas inoculadoras de veneno) e a mordida deixa m\u00faltiplos sinais com trajeto em arco.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia Colubridae, entre elas as esp\u00e9cies Philodryas olfersii (cobra-verde, cobra-cip\u00f3), Philodryas patagoniensis (parelheira) e Clelia clelia (cobra-preta ou mu\u00e7urana) possuem dentes inoculadores do tipo opist\u00f3glifa (dois ou mais dentes posteriores com sulco na parte anterior ou lateral) e t\u00eam sido relatados acidentes com manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Ao que se conhece, o veneno destas serpentes possui atividades hemorr\u00e1gica, proteol\u00edtica e fibrinogenol\u00edtica, podendo ocasionar edema local importante, equimose e dor. A conduta nestes casos consiste em se fazer uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica cuidadosa do doente, \u00e0 procura de sinais e sintomas que poderiam ajudar no diagn\u00f3stico, tais como avalia\u00e7\u00e3o do tempo de coagula\u00e7\u00e3o (TC), presen\u00e7a de f\u00e1cies neurot\u00f3xica e mioglobin\u00faria. A aus\u00eancia destas altera\u00e7\u00f5es sugere o diagn\u00f3stico de acidente por serpente considerada \u201cn\u00e3o-pe\u00e7onhenta\u201d. O tratamento \u00e9 sintom\u00e1tico, embora tenha sido relatado na literatura o emprego do soro antibotr\u00f3pico. Esta conduta ainda \u00e9 controversa.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Profilaxia<\/span><\/p>\n<p>Como na maioria dos indiv\u00edduos, a picada ocorre enquanto est\u00e3o trabalhando e em cerca de 60% dos casos o local acometido \u00e9 o p\u00e9 ou o tornozelo, uma simples bota de couro que cubra essas regi\u00f5es poderia prevenir mais da metade dos acidentes. O \u00edndice de prote\u00e7\u00e3o pode alcan\u00e7ar 70% se a perna estiver coberta at\u00e9 a altura do joelho. Deve ser ressaltado que essas medidas de prote\u00e7\u00e3o raramente s\u00e3o postas em pratica, em raz\u00e3o da precariedade das condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas do nosso trabalhador rural, o principal atingido pelos acidentes of\u00eddicos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Acidentes por  artr\u00f3podes pe\u00e7onhentos<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Aranhas<\/span><\/p>\n<p>A grande maioria das aranhas possui gl\u00e2ndulas produtoras de veneno, por\u00e9m poucas s\u00e3o perigosas para os seres humanos.<\/p>\n<p>No Brasil, as principais aranhas de interesse m\u00e9dico pertencem aos g\u00eaneros Phoneutria, Loxosceles, Latrodectus e Lycosa. Devem ser considerados os acidentes com as aranhas dos g\u00eaneros Grammostola e Pamphobeteus, que podem provocar rea\u00e7\u00e3o de hipersensibilidade, por apresentarem o corpo coberto por pelos urticantes.<\/p>\n<p>Nos acidentes causados por aranhas, o diagn\u00f3stico etiol\u00f3gico se baseia na identifica\u00e7\u00e3o do agente agressor e no diagn\u00f3stico cl\u00ednico, no relato de picada e nos sinais e sintomas determinados pelos diferentes tipos de veneno.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>Acidente por Phoneutria<\/strong><\/p>\n<p>Este acidente \u00e9 causado pelas aranhas do g\u00eanero Phoneutria, conhecidas por aranhas armadeiras, aranha-da-banana ou aranha-dos-mercados-de-frutas.<\/p>\n<p>S\u00e3o aranhas grandes, medindo aproximadamente tr\u00eas a cinco cent\u00edmetros de corpo e at\u00e9 15 cent\u00edmetros de envergadura das pernas.\u00a0 Possuem colora\u00e7\u00e3o castanha ou cinza escuro, com pelos castanhos nas pernas e no abd\u00f4men. No dorso do abd\u00f4men apresentam uma s\u00e9rie longitudinal de pares de manchas claras. O ventre \u00e9 negro nas f\u00eameas adultas, vermelho ou laranja em jovens e machos adultos.<\/p>\n<p>As aranhas armadeiras s\u00e3o bastante agressivas. O veneno tem efeito neurot\u00f3xico perif\u00e9rico, sendo a dor no local da picada de instala\u00e7\u00e3o imediata, com irradia\u00e7\u00e3o para todo o membro atingido.<\/p>\n<p>O tratamento consiste na analgesia, pela infiltra\u00e7\u00e3o local, ao redor da picada, de aproximadamente 4 ml de anest\u00e9sico do tipo lidoca\u00edna a 2%, sem vasoconstritor. Para as crian\u00e7as usar entre 1 e 2 ml do anest\u00e9sico. Se necess\u00e1rio, repetir a mesma dose uma a duas horas ap\u00f3s.<\/p>\n<p>Caso sejam necess\u00e1rias mais de duas infiltra\u00e7\u00f5e e desde que n\u00e3o haja altera\u00e7\u00f5es do sistema nervoso central, recomenda-se o uso cuidadoso de meperidina (Dolantina \u00ae), nas seguintes doses: crian\u00e7as \u2013 1,0 mg\/Kg de peso via intramuscular, e adultos 50 a 100 mg pela mesma via. O tratamento complementar da dor local pode ainda ser feito com banho de imers\u00e3o em \u00e1gua morna ou pelo uso de dipirona.<\/p>\n<p>A soroterapia espec\u00edfica tem sido indicada nos casos com manifesta\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas principalmente em crian\u00e7as e em todos os acidentes graves. Nestes casos interna-se o doente e al\u00e9m do emprego da analgesia, aplica-se o soro antiaracn\u00eddico de acordo com o quadro a seguir:<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 8<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> &#8211; Foneutrismo \u2013 classifica\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 gravidade, manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas  e tratamento geral e espec\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"150\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">CLASSIFICA\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"186\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES CL\u00cdNICAS<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"123\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TRATAMENTO GERAL<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"140\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TRATAMENTO ESPEC\u00cdFICO<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"186\"><span style=\"font-size: x-small\">Dor local na  maioria dos casos, eventualmente taquicardia e agita\u00e7\u00e3o.<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Observa\u00e7\u00e3o at\u00e9  6 horas + analgesia<\/span><\/td>\n<td width=\"140\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"186\"><span style=\"font-size: x-small\">Dor local  intensa associada a: sudorese e\/ou v\u00f4mitos ocasionais e\/ou agita\u00e7\u00e3o e\/ou  hipertens\u00e3o arterial.<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Interna\u00e7\u00e3o +  analgesia<\/span><\/td>\n<td width=\"140\"><span style=\"font-size: x-small\">2 a 4 ampolas  de SAAr (*) (crian\u00e7as)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Via  intravenosa<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"186\"><span style=\"font-size: x-small\">Al\u00e9m das  anteriores, apresenta uma ou mais das seguintes manifesta\u00e7\u00f5es: sudorese profusa,  sialorr\u00e9ia, v\u00f4mitos freq\u00fcentes, hipertonia muscular, priapismo, choque e\/ou  edema pulmonar agudo.<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Unidade de  cuidados intensivos + analgesia<\/span><\/td>\n<td width=\"140\"><span style=\"font-size: x-small\">5 a 10 ampolas  de SAAr (*)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Via  intravenosa<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*) SAAr-soro  antiaracn\u00eddico: 1 ampola = 5ml. Uma ampola de soro (5 ml) neutraliza 7,5 DMM  (doses m\u00ednimas mortais) dos venenos de refer\u00eancia. (<em>Phoneutria  nigriventer<\/em> e <em>Loxosceles gaucho<\/em>).<\/span><\/p>\n<p><strong>Acidente  por<em> Loxosceles<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Este acidente \u00e9 causado pelas aranhas do g\u00eanero Loxosceles, conhecidas por aranhas-marrom. S\u00e3o aranhas pequenas, com aproximadamente um cent\u00edmetro de corpo e tr\u00eas cent\u00edmetros de envergadura.<\/p>\n<p>Estas aranhas n\u00e3o s\u00e3o agressivas. Os acidentes acontecem principalmente quando a aranha \u00e9 comprimida contra a pele do indiv\u00edduo, por se encontrar dentro de vestimentas e em roupas de cama ou de banho.<\/p>\n<p>O veneno loxosc\u00e9lico possui atividades proteol\u00edtica (respons\u00e1vel pelas les\u00f5es necr\u00f3ticas e isqu\u00eamicas na regi\u00e3o da picada), hemol\u00edtica (produz hem\u00f3lise intravascular) e coagulante (capaz de ocasionar coagula\u00e7\u00e3o intravascular disseminada).<\/p>\n<p>O acidente pode se apresentar sob duas formas cl\u00ednicas: cut\u00e2nea e cut\u00e2neo-visceral. Na forma cut\u00e2nea, as a\u00e7\u00f5es proteol\u00edtica e hemol\u00edtica do veneno manifestam-se tardiamente, em torno de 12 a 24 horas ap\u00f3s o acidente.<\/p>\n<p>O quadro cl\u00ednico cut\u00e2neo caracteriza-se por edema, eritema, dor local semelhante a queimadura.<\/p>\n<p>A necrose torna-se evidente ao final da primeira semana ap\u00f3s a picada. Apresenta-se como uma crosta seca e negra que se desprende com o tempo, em primeiro da periferia e, por fim, da base da les\u00e3o, deixando \u00e0 mostra uma \u00falcera de propor\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>A forma cut\u00e2neo-visceral tem manifesta\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas e instala-se em pequeno n\u00famero de casos, principalmente em crian\u00e7as. A a\u00e7\u00e3o hemol\u00edtica do veneno se manifesta por icter\u00edcia e hemoglobin\u00faria. A urina torna-se escura, cor de &#8220;coca-cola\u201d e pode evoluir para olig\u00faria, an\u00faria e insufici\u00eancia renal aguda semelhante ao que ocorre no acidente crot\u00e1lico.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 9 <\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\">\u2013 Loxoscelismo \u2013 classifica\u00e7\u00e3o dos acidentes quanto \u00e0 gravidade,  manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e tratamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"146\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">CLASSIFICA\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"252\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES CL\u00cdNICAS<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TRATAMENTO<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"146\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"252\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">&#8211;<em>Loxosceles<\/em> identificada como agente causador do  acidente<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Les\u00e3o  incaracter\u00edstica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Sem  comprometimento do estado geral<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Sem  altera\u00e7\u00f5es laboratoriais<\/span><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico:  Acompanhamento at\u00e9 72 horas ap\u00f3s a picada (*)<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"146\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"252\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">-Com ou sem  identifica\u00e7\u00e3o da <em>Loxosceles<\/em> no momento da picada<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Les\u00e3o  sugestiva ou caracter\u00edstica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Altera\u00e7\u00f5es  sist\u00eamicas (<em>rash<\/em> cut\u00e2neo, pet\u00e9quias)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Sem  altera\u00e7\u00f5es laboratoriais sugestivas de hem\u00f3lise<\/span><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Soroterapia:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">5 ampolas de  SAAr (**) via intravenosa e<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Prednisona:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Adultos 40  mg\/dia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Crian\u00e7as 1  mg\/Kg\/dia durante 5 dias<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"146\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"252\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">-Les\u00e3o  caracter\u00edstica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Altera\u00e7\u00e3o no  estado geral: anemia aguda, icter\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Evolu\u00e7\u00e3o  r\u00e1pida<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">-Altera\u00e7\u00f5es  laboratoriais indicativas de hem\u00f3lise<\/span><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Soroterapia:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">10 ampolas de  SAAr via intravenosa e<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Prednisona:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Adultos 40  mg\/dia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Crian\u00e7as 1  mg\/Kg\/dia durante 5 dias<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*) Pode haver  mudan\u00e7a de classifica\u00e7\u00e3o durante este per\u00edodo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(**) SAAr =  soro antiaracn\u00eddico ou soro antiloxosc\u00e9lico.<\/span><\/p>\n<p>O tratamento cir\u00fargico das \u00e1reas necrosadas pode ser necess\u00e1rio no manejo das \u00falceras e corre\u00e7\u00e3o das cicatrizes. O emprego do soro espec\u00edfico deve ser feito at\u00e9 36 horas ap\u00f3s o acidente.<\/p>\n<p><strong>Acidente  por<em> Latrodectus<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p>Este acidente \u00e9 causado pelas aranhas do g\u00eanero Latrodectus, conhecidas popularmente por vi\u00fava-negra, aranha ampulheta ou flamenguinha.<\/p>\n<p>Em geral, possuem colora\u00e7\u00e3o negra e vermelho vivo, como na esp\u00e9cie L. curacaviensis ou esverdeado ou acinzentado com manchas alaranjadas, como na esp\u00e9cie cosmopolita L. geometricus. O abd\u00f4men \u00e9 globoso, com manchas vermelhas de tamanho vari\u00e1vel. O ventre possui um caracter\u00edstico desenho em forma de ampulheta.<\/p>\n<p>O veneno \u00e9 neurot\u00f3xico central e perif\u00e9rico causando quadro cl\u00ednico no local da picada e no sistema nervoso central. Al\u00e9m da dor intensa no local da picada o doente pode ainda apresentar mialgia intensa, contraturas musculares generalizadas, podendo levar a convuls\u00f5es tet\u00e2nicas.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de sialorr\u00e9ia, dores abdominais exacerbadas com sudorese profusa, pode levar a confus\u00e3o com o diagn\u00f3stico de abdome agudo.<\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00f5es hemodin\u00e2micas do tipo bradicardia e hipotens\u00e3o podem acabar determinando choque hipovol\u00eamico e insufici\u00eancia renal aguda. A morte, quando ocorre, em geral se deve \u00e0 parada respirat\u00f3ria e ao choque.<\/p>\n<p>O tratamento deve ser intensivo, utilizando-se analg\u00e9sicos potentes para o al\u00edvio das dores musculares e abdominais. Podem ser realizados bloqueios anest\u00e9sicos regionais \u00e0 base de lidoca\u00edna sem vasoconstritor.<\/p>\n<p>Os relaxantes musculares \u00e0 base dos benzodiazep\u00ednicos, al\u00e9m do gluconato de c\u00e1lcio, podem ser utilizados para al\u00edvio das contra\u00e7\u00f5es espasm\u00f3dicas, tremores e c\u00e3imbras musculares. O tratamento com o soro espec\u00edfico \u00e9 obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 10 &#8211; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\">Classifica\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e tratamento do  Latrodectismo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"149\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">CLASSIFICA\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"246\" valign=\"top\">\n<h1><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES  CL\u00cdNICAS<\/span><\/h1>\n<\/td>\n<td width=\"180\" valign=\"top\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">TRATAMENTO<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"149\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"246\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Sudorese e dor local, edema local  discreto, dor nos membros inferiores, parestesia em membros, tremores e  contraturas.<\/span><\/td>\n<td width=\"180\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico: Analg\u00e9sicos, gluconato de  c\u00e1lcio, observa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"149\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"246\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Al\u00e9m dos acima referidos, dor  abdominal \/ mialgia, sudorese generalizada, ansiedade \/ agita\u00e7\u00e3o, dificuldade de  deambula\u00e7\u00e3o, cefal\u00e9ia, tontura e hipertermia.<\/span><\/td>\n<td width=\"180\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico: Analg\u00e9sicos, sedativos  e<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Espec\u00edfico: SALatr(*) 1 ampola via  intramuscular.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"149\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"246\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Todos os acima referidos e  taqui\/bradicardia, hipertens\u00e3o arterial, taquipn\u00e9ia\/dispn\u00e9ia, n\u00e1useas e v\u00f4mitos,  priapismo e reten\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, f\u00e1cies latrodect\u00edsmica.<\/span><\/td>\n<td width=\"180\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico: Analg\u00e9sicos, sedativos  e<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Espec\u00edfico: SALatr(*) 1 a 2 ampolas  via intramuscular.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*) SALatr = soro  antilatrod\u00e9ctico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro  11<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> \u2013 Latrodectismo \u2013 drogas utilizadas no tratamento  sintom\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"175\" valign=\"top\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">MEDICAMENTO<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<td width=\"224\" valign=\"top\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">CRIAN\u00c7AS<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\">\n<h6><span style=\"font-size: x-small\">ADULTOS<\/span><\/h6>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"175\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Benzodiazep\u00ednicos do tipo Diazepam<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"224\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">1 a 2 mg\/dose  intravenosa a cada 4 horas, se necess\u00e1rio<\/span><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">5 a 10 mg  intravenosa a cada 4 horas, se necess\u00e1rio.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"175\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Gluconato de  c\u00e1lcio a 10%<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"224\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">1 mg\/Kg  intravenosa lentamente a cada 4 horas, se necess\u00e1rio<\/span><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">10 a 20 ml  intravenosa lentamente a cada 4 horas, se  necess\u00e1rio.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"175\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Clorpromazina<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"224\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">0,55  mg\/kg\/dose intramuscular a cada 8 horas, se necess\u00e1rio<\/span><\/td>\n<td width=\"199\" valign=\"top\"><span style=\"font-size: x-small\">25 a 50 mg  intramuscular a cada 4 horas, se  necess\u00e1rio.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p>Deve-se garantir suporte c\u00e1rdio-respirat\u00f3rio e os pacientes devem permanecer internados pelo menos 24 horas.<\/p>\n<p><strong>Acidente  por<em> Lycosa<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O acidente \u00e9 causado por aranhas do g\u00eanero Lycosa, conhecidas como aranhas de jardim, de grama, aranha lobo ou tar\u00e2ntula. Apresentam como caracter\u00edstica um desenho negro em forma de ponta de flecha no dorso do abdome.<\/p>\n<p>O veneno \u00e9 discretamente proteol\u00edtico e a picada \u00e9 acompanhada de pouca ou nenhuma dor, podendo aparecer edema e eritema.<\/p>\n<p>O acidente \u00e9 considerado de car\u00e1ter benigno e n\u00e3o tem valor sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico diferencial, quando a hist\u00f3ria de picada \u00e9 recente, deve ser feito com as aranhas Loxosceles. Nesse caso, torna-se necess\u00e1ria a reavalia\u00e7\u00e3o do doente ap\u00f3s 12 a 24 horas do acidente.<\/p>\n<p>O tratamento \u00e9 sintom\u00e1tico, com curativos locais, \u00e0 base de antis\u00e9pticos. Caso haja rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica local, ou presen\u00e7a de infec\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. Pode se utilizar pomadas compostas de antibi\u00f3ticos e corticoster\u00f3ides.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 necessidade de soroterapia espec\u00edfica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Acidente por aranhas Mygalomorphae<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, estas aranhas s\u00e3o conhecidas popularmente por aranhas caranguejeiras. Apresentam uma grande variedade de colorido e de tamanho, desde alguns mil\u00edmetros at\u00e9 20 cm de envergadura das pernas. Algumas s\u00e3o muito pilosas.<\/p>\n<p>Sua import\u00e2ncia m\u00e9dica est\u00e1 no fato delas poderem lan\u00e7ar p\u00ealos urticantes, situados no dorso do abdome, quando amea\u00e7adas. Esses p\u00ealos podem causar rea\u00e7\u00f5es de hipersensibilidade, com prurido cut\u00e2neo, mal-estar, tosse, dispn\u00e9ia e broncospasmo.<\/p>\n<p>O tratamento \u00e9 feito \u00e0 base de pomada de corticoster\u00f3ides. Quando ocorre rea\u00e7\u00e3o de hipersensibilidade, com manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas sist\u00eamicas, est\u00e1 indicado o uso de anti-histam\u00ednicos, como a prometazina, uma ampola por via intramuscular. Para crian\u00e7as, utilizar 0,1 a 0,5mg\/kg de peso corporal.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Escorpi\u00f5es<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Os escorpi\u00f5es do g\u00eanero Tityus s\u00e3o os causadores de acidentes. As principais esp\u00e9cies s\u00e3o:<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Verdana\"><em>Tityus  serrulatus<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Mede cerca de seis a sete cent\u00edmetros de comprimento e possui o colorido do tronco marrom-escuro, pedipalpos, patas e cauda amarelos.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Verdana\"><em>Tityus bahiensis<\/em> <\/span><\/strong><\/p>\n<p>Mede cerca de seis a sete cent\u00edmetros de comprimento e possui a colora\u00e7\u00e3o marrom-escuro, patas manchadas, pedipalpos com mancha escura no f\u00eamur e na t\u00edbia.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Verdana\"><em>Tityus  stigmurus<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Mede cerca de seis a oito cent\u00edmetros de comprimento e possui colora\u00e7\u00e3o amarelo-escuro. Apresentam, apresentando um tri\u00e2ngulo negro na cabe\u00e7a e uma faixa escura longitudinal mediana. Presen\u00e7a de manchas laterais no tronco.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Verdana\"><em>Tityus  fasciolatus<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Mede cerca de seis a oito cent\u00edmetros de comprimento e possui colora\u00e7\u00e3o amarelo-escura. Apresenta tr\u00eas faixas longitudinais quase negras, al\u00e9m de manchas laterais no tronco.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Verdana\"><em>Tityus  cambridgei<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Mede cerca de seis a oito cent\u00edmetros de comprimento, possui a colora\u00e7\u00e3o escura, quase negra e pentes claros esbranqui\u00e7ados.<\/p>\n<p>S\u00e3o notificados anualmente cerca de 8.000 acidentes, com uma letalidade variando em torno de 0,58%. O Tityus serrulatus \u00e9 o maior causador de mortes no Brasil. Na sua grande maioria crian\u00e7as com menos de 7 anos de idade. O escorpionismo grave caracteriza-se por fal\u00eancia cardiocirculat\u00f3ria, podendo cursar com edema pulmonar, sendo esta umas das causas mais comuns de \u00f3bito.<\/p>\n<p>O comprometimento card\u00edaco \u00e9 caracterizado por altera\u00e7\u00f5es eletrocardiogr\u00e1ficas (ECG) sugestivas de miocardite e (ou) infarto agudo do mioc\u00e1rdio, com aumento das enzimas creatinoquinase (CK) e lactato desidrogenase (LD). O edema pulmonar observado nos casos graves, e que muitas vezes \u00e9 respons\u00e1vel pelo \u00f3bito do paciente, pode ter origem cardiog\u00eanica ou pela libera\u00e7\u00e3o de mediadores qu\u00edmicos no pulm\u00e3o (aumento da permeabilidade vascular).<\/p>\n<p>A radiografia do t\u00f3rax de um paciente picado pelo escorpi\u00e3o Tityus serrulatus pode mostrar edema pulmonar acometendo predominantemente um dos pulm\u00f5es e com aumento da \u00e1rea card\u00edaca.<\/p>\n<p>A grande maioria dos pacientes acidentados gravemente cursa com v\u00f4mitos, \u00e0s vezes com dor abdominal e aumento da amilase sang\u00fc\u00ednea. Todos os pacientes devem ficar em observa\u00e7\u00e3o, em ambiente hospitalar, entre 4 e 6 horas ap\u00f3s a picada.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p>Todos os pacientes devem ficar em observa\u00e7\u00e3o, em ambiente hospitalar, entre 4 e 6 horas ap\u00f3s a picada. O tratamento visa atingir os seguintes objetivos:<\/p>\n<p>Combater os sintomas do envenenamento:<\/p>\n<p>O combate \u00e0 dor deve sempre ser realizado. Analg\u00e9sicos via oral ou parenteral s\u00e3o utilizados, al\u00e9m da infiltra\u00e7\u00e3o local de 2 a 4 ml de anest\u00e9sico tipo lidoca\u00edna sem vasoconstritor. Pode-se repetir ap\u00f3s uma hora se necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Dar suporte \u00e0s condi\u00e7\u00f5es vitais do paciente:<\/p>\n<p>Os pacientes com manifesta\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas, especialmente as crian\u00e7as, devem ser mantidos em regime de monitora\u00e7\u00e3o continuada quanto \u00e0 freq\u00fc\u00eancia card\u00edaca, respirat\u00f3ria, press\u00e3o arterial, gases sang\u00fc\u00edneos, equil\u00edbrio \u00e1cido-b\u00e1sico e estado de hidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neutralizar o veneno circulante:<\/p>\n<p>A soroterapia espec\u00edfica (soro antiescorpi\u00f4nico ou soro antiaracn\u00eddico) \u00e9 sempre indicada em casos graves e acidentes moderados em crian\u00e7as abaixo de 7 anos de idade. O soro deve ser administrado por via endovenosa o mais precocemente poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro  12<\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\"> &#8211; Classifica\u00e7\u00e3o e tratamento do escorpionismo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<div>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"118\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">Classifica\u00e7\u00e3o do  escorpionismo<\/span><\/strong><\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"216\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES  CL\u00cdNICAS<\/span><\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"301\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">TRATAMENTO<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"192\">\n<h1><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Geral<\/span><\/h1>\n<\/td>\n<td width=\"109\">\n<h2><span style=\"font-family: Verdana;font-size: x-small\">Espec\u00edfico<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"118\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"216\"><span style=\"font-size: x-small\">Somente presente as manifesta\u00e7\u00f5es locais. Dor presente em 100% dos casos.  Ocasionalmente v\u00f4mitos, taquicardia e agita\u00e7\u00e3o de pequena  intensidade.<\/span><\/td>\n<td width=\"192\"><span style=\"font-size: x-small\">Combate \u00e0 dor; analg\u00e9sico e (ou)  anest\u00e9sicos locais. Observa\u00e7\u00e3o quanto ao aparecimento de manifesta\u00e7\u00f5es  sist\u00eamicas durante 6 a 12 horas, em ambiente hospitalar, principalmente crian\u00e7as  abaixo de 7 anos.<\/span><\/td>\n<td width=\"109\"><span style=\"font-size: x-small\">__<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"118\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"216\"><span style=\"font-size: x-small\">Manifesta\u00e7\u00f5es locais e alguma  sintomatologia sist\u00eamica como agita\u00e7\u00e3o, sonol\u00eancia, sudorese, n\u00e1useas, v\u00f4mitos,  hipertens\u00e3o arterial, taquicardia e taquipn\u00e9ia.<\/span><\/td>\n<td width=\"192\"><span style=\"font-size: x-small\">Combate \u00e0 dor. Observa\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o  cl\u00ednica durante 12 a 24 horas, em ambiente hospitalar.<\/span><\/td>\n<td width=\"109\"><span style=\"font-size: x-small\">Em crian\u00e7as abaixo de 7 anos est\u00e1  indicado SAE*: 2-4 ampolas IV. Nos demais, vide tratamento  geral.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"118\" valign=\"top\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"216\"><span style=\"font-size: x-small\">Manifesta\u00e7\u00f5es locais e sist\u00eamicas.  V\u00f4mitos profusos e freq\u00fcentes, n\u00e1useas, sialorr\u00e9ia, lacrimejamento, sudorese  profusa, agita\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o da temperatura (geralmente hipotermia),  taquicardia, hipertens\u00e3o arterial, altera\u00e7\u00e3o do ECG, taquipn\u00e9ia, tremores,  espasmos musculares, paralisias e at\u00e9 convuls\u00f5es. Os casos graves podem evoluir  com bradicardia, bradipn\u00e9ia, edema agudo pulmonar, colapso cardiocirculat\u00f3rio,  prostra\u00e7\u00e3o, coma e morte.<\/span><\/td>\n<td width=\"192\"><span style=\"font-size: x-small\">Combate \u00e0 dor. Interna\u00e7\u00e3o hospitalar.  Cuidados intensivos, monitoriza\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es vitais. Cuidados de  UTI.<\/span><\/td>\n<td width=\"109\"><span style=\"font-size: x-small\">5-10 ampolas IV de  SAE*.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">*SAE = Soro antiescorpi\u00f4nico (ou soro  antiaracn\u00eddeo). Uma ampola de soro (5 ml) neutraliza 7,5 DMM (doses m\u00ednimas  mortais) do veneno refer\u00eancia (<em>Tityus serrulatus<\/em>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Abelhas e  Vespas<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O Brasil possui mais de 400 esp\u00e9cies de \u201cvespas sociais&#8221;, e que s\u00e3o respons\u00e1veis por muitos acidentes. As mais comuns s\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Polybia paulista (paulistinha)<\/p>\n<p>&#8211; Polistes versicolor (marimbondo cavalo)<\/p>\n<p>&#8211; Stenopolybia vicina (ca\u00e7ununga)<\/p>\n<p>As abelhas africanizadas, existentes atualmente nas Am\u00e9ricas, s\u00e3o na verdade poli-h\u00edbridos resultantes do cruzamento natural entre as abelhas africanas e as existentes em cada regi\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>Os acidentes por picadas de abelhas e vespas apresentam manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas distintas, dependendo da sensibilidade do indiv\u00edduo ao veneno e do n\u00famero de picadas. O acidente mais freq\u00fcente \u00e9 aquele no qual um indiv\u00edduo n\u00e3o-sensibilizado ao veneno \u00e9 acometido por poucas picadas. Nestes casos, o quadro cl\u00ednico limita-se \u00e0 rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria local, com p\u00e1pulas eritematosas, dor e calor. Na maioria das vezes esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 resolvida sem a participa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Outra forma de apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica \u00e9 aquela na qual o indiv\u00edduo previamente sensibilizado a um ou mais componentes do veneno manifesta rea\u00e7\u00e3o de hipersensibilidade imediata. \u00c9 ocorr\u00eancia grave podendo ser desencadeada por apenas uma picada e exige a interven\u00e7\u00e3o imediata do m\u00e9dico. O quadro cl\u00ednico em geral manifesta-se por edema de glote e broncospasmo acompanhado de choque anafil\u00e1tico.<\/p>\n<p>A terceira forma de apresenta\u00e7\u00e3o deste tipo de acidente \u00e9 a de m\u00faltiplas picadas. Geralmente o acidente ocorre com as abelhas do g\u00eanero Apis, quando o doente \u00e9 atacado por um enxame \u2014 em geral no campo. Nesse caso ocorre inocula\u00e7\u00e3o de grande quantidade de veneno, devido \u00e0s m\u00faltiplas picadas, em geral centenas ou milhares.<\/p>\n<p>O tratamento de poucas picadas de abelhas ou vespas em indiv\u00edduo n\u00e3o-sensibilizado deve ser \u00e0 base de anti-histam\u00ednicos sist\u00eamicos e corticoster\u00f3ides t\u00f3picos.<\/p>\n<p>O tratamento do indiv\u00edduo sensibilizado que evolui com broncospasmo, edema de glote e choque anafil\u00e1tico \u00e9 o mesmo referido para as rea\u00e7\u00f5es anafil\u00e1ticas e anafilact\u00f3ides.<\/p>\n<p>O tratamento do acidente por m\u00faltiplas picadas de abelhas ou vespas \u00e9 sempre uma emerg\u00eancia m\u00e9dica. Infelizmente ainda n\u00e3o se disp\u00f5e de um soro espec\u00edfico contra estes venenos, embora j\u00e1 existam pesquisas em desenvolvimento. Devem ser tomadas as seguintes provid\u00eancias imediatamente ap\u00f3s o doente chegar ao hospital:<\/p>\n<p>\u2014 injetar, via intramuscular, uma ampola de prometazina (Fenergan\u00ae); em crian\u00e7as utilizar 0,1 a 0,5 mg\/kg de peso corporal.<\/p>\n<p>\u2014 injetar, via intramuscular, uma ampola de hipnoanalg\u00e9sico do tipo meperidina (Dolantina\u00ae); em crian\u00e7as aplicar 1,5 mg\/kg de peso\/dia.<\/p>\n<p>\u2014 se estiver em estado de choque, injetar, via subcut\u00e2nea, 0,5 a uma ampola de adrenalina aquosa 1:1.000. Em crian\u00e7as utilizar 0,01 mg\/kg de peso corporal.<\/p>\n<p>\u2014 se houver broncospasmo com presen\u00e7a de sibilos, injetar, via intramuscular, uma ampola de aminofilina. Em crian\u00e7as utilizar 7 mg\/kg de peso, o que corresponde a 0,3 ml\/kg de peso, seguidos da instala\u00e7\u00e3o de cateter de oxig\u00eanio. Manter o esquema at\u00e9 o desaparecimento do broncospasmo.<\/p>\n<p>\u2014 cateterizar uma veia central, com posterior instala\u00e7\u00e3o de press\u00e3o venosa central.<\/p>\n<p>\u2014 administrar pela via endovenosa, 1 g de hidrocortisona (Solu-Cortef\u00ae). Em crian\u00e7as utilizar 7 mg\/kg de peso corporal. Este esquema deve ser mantido por pelo menos tr\u00eas a cinco dias, de acordo com a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>\u2014 hidratar bem o doente com col\u00f3ides e cristal\u00f3ides, induzindo a seguir a diurese osm\u00f3tica com manitol a 20%, na dose de 100 ml, via endovenosa, a cada seis horas para adultos, e 10 a 12,5 ml\/kg de peso corporal para crian\u00e7as. O manitol dever\u00e1 ser mantido por pelo menos cinco dias. Deve-se tomar cuidado com uma poss\u00edvel desidrata\u00e7\u00e3o iatrog\u00eanica. Quando o doente apresentar an\u00faria, o manitol est\u00e1 contra-indicado.<\/p>\n<p>\u2014 alcalinizar a urina com solu\u00e7\u00e3o de bicarbonato de s\u00f3dio na dose de 1 a 2 mEq\/kg de peso\/dose a cada seis horas, para prevenir as les\u00f5es renais causadas pela hemoglobin\u00faria. O pH \u00e1cido da urina favorece as les\u00f5es renais.<\/p>\n<p>\u2014 retirar os ferr\u00f5es um por um, com o cuidado de evitar a inocula\u00e7\u00e3o do veneno neles contido. Deve ser salientado que durante a picada apenas um ter\u00e7o do veneno contido no ferr\u00e3o \u00e9 inoculado na v\u00edtima. O restante fica no aparelho inoculador situado na extremidade proximal do ferr\u00e3o. A retirada incorreta dos ferr\u00f5es pode ser acompanhada de compress\u00e3o deste aparelho. Como conseq\u00fc\u00eancia haver\u00e1 inocula\u00e7\u00e3o de grande quantidade de veneno. Para retir\u00e1-los, utilizar uma gilete aplicada rente \u00e0 pele.<\/p>\n<p>\u2014 sondagem vesical e nasog\u00e1strica.<\/p>\n<p>\u2014 aplica\u00e7\u00e3o de permanganato de pot\u00e1ssio na dilui\u00e7\u00e3o de 1:40.000, para anti-sepsia das \u00e1reas picadas.<\/p>\n<p>\u2014 alimenta\u00e7\u00e3o enteral com cerca de 2.000 calorias por dia.<\/p>\n<p>\u2014 manuten\u00e7\u00e3o dos equil\u00edbrios hidreletrol\u00edtico e acido-b\u00e1sico.<\/p>\n<p>\u2014 traqueostomia e\/ou intuba\u00e7\u00e3o orotraqueal, com instala\u00e7\u00e3o de reposi\u00e7\u00e3o assistida, quando indicada.<\/p>\n<p>\u2014 di\u00e1lise peritoneal e\/ou hemodi\u00e1lise, quando houver insufici\u00eancia renal aguda.<\/p>\n<p>\u2014 prevenir a forma\u00e7\u00e3o de escaras de dec\u00fabito; evitar infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias secund\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Lacraias<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Os quil\u00f3podes, conhecidos popularmente como lacraias e centop\u00e9ias, possuem corpo quitinoso dividido em cabe\u00e7a e tronco articulado, de formato achatado, filiforme ou redondo, permitindo f\u00e1cil locomo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes o quadro cl\u00ednico \u00e9 benigno, causando apenas envenenamento local sem maiores conseq\u00fc\u00eancias, caracterizado por dor local imediata em queima\u00e7\u00e3o, de intensidade vari\u00e1vel, acompanhada ou n\u00e3o de prurido, hiperemia, edema e com evolu\u00e7\u00e3o para necrose superficial. Sintomas gerais eventualmente podem estar presentes, como cefal\u00e9ia, v\u00f4mitos, ansiedade, pulso irregular, tonturas, linfadenite e linfangite.<\/p>\n<p>O tratamento deve ser basicamente sintom\u00e1tico, direcionado para o al\u00edvio da dor. Podem ser utilizados analg\u00e9sicos sist\u00eamicos, bloqueio anest\u00e9sico local ou troncular e calor local. Quando necess\u00e1rio, indica-se o bloqueio anest\u00e9sico, no local da picada ou no tronco nervoso, infiltrando-se lidoca\u00edna a 2%, sem vasoconstritor, 3 a 4ml em adultos e 1 a 2ml em crian\u00e7as. N\u00e3o se recomenda o uso de corticoster\u00f3ides, antiinflamat\u00f3rios ou anti-histam\u00ednicos.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Lagartas  venenosas<\/span><\/strong><\/p>\n<p>As tr\u00eas principais manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas s\u00e3o as seguintes: dermatol\u00f3gicas, hemorr\u00e1gicas e osteoarticulares.<\/p>\n<p>O tratamento aos indiv\u00edduos rec\u00e9m-acidentados e que apresentam ardor intenso \u00e9 recomendada infiltra\u00e7\u00e3o anest\u00e9sica com lidoca\u00edna a 2% em torno da les\u00e3o. O bloqueio anest\u00e9sico diminui sobremaneira os sintomas cl\u00ednicos. A aplica\u00e7\u00e3o de calor local, imediatamente ap\u00f3s o acidente, pode reduzir a sintomatologia. Os analg\u00e9sicos e antiinflamat\u00f3rios de uso sist\u00eamico ajudam no combate \u00e0 dor e \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o, bem como o uso de corticoster\u00f3ides t\u00f3picos.<\/p>\n<p>Os doentes acometidos pela s\u00edndrome hemorr\u00e1gica devem ser tratados em ambiente hospitalar com corre\u00e7\u00e3o da anemia pela administra\u00e7\u00e3o de concentrado de hem\u00e1cias. O sangue total e o plasma fresco podem acentuar o quadro de coagula\u00e7\u00e3o intravascular e por isso s\u00e3o contra-indicados. As doses utilizadas do soro antilon\u00f4mico (SALon) est\u00e3o descritas no quadro a seguir.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: x-small\">Quadro 13 <\/span><\/strong><span style=\"font-size: x-small\">\u2013 Classifica\u00e7\u00e3o da  gravidade e orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica nos acidentes por lagartas do g\u00eanero <\/span><em><span style=\"font-size: x-small\">Lonomia.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MANIFESTA\u00c7\u00d5ES E  GRAVIDADE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"94\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">QUADRO  LOCAL<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"123\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TEMPO DE  COAGULA\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"132\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">SANGRAMENTO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"123\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">TRATAMENTO<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">LEVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"94\"><span style=\"font-size: x-small\">Presente<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Normal<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">MODERADO<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"94\"><span style=\"font-size: x-small\">Presente ou  ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Alterado<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Ausente ou presente  em pele e mucosas<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Soroterapia: 5  ampolas de SALon (*) intravenoso<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"137\"><strong><span style=\"font-size: x-small\">GRAVE<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"94\"><span style=\"font-size: x-small\">Presente ou  ausente<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Alterado<\/span><\/td>\n<td width=\"132\"><span style=\"font-size: x-small\">Presente em  v\u00edsceras. Paciente com risco de morte<\/span><\/td>\n<td width=\"123\"><span style=\"font-size: x-small\">Sintom\u00e1tico:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">Soroterapia: 10  ampolas de SALon intravenoso<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">(*)SALon = soro antilon\u00f4mico. Uma  ampola de soro antilon\u00f4mico (10 ml) neutraliza 3,5 mg de veneno refer\u00eancia  (<em>Lonomia obliqua<\/em>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p>Para as formas osteoarticulares n\u00e3o h\u00e1 conduta terap\u00eautica espec\u00edfica. As formas cr\u00f4nicas acompanhadas de artropatia devem ter acompanhamento especializado.<br \/>\n<span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">O  teste al\u00e9rgico e o tratamento das rea\u00e7\u00f5es<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A indica\u00e7\u00e3o do teste al\u00e9rgico de sensibilidade para soro heter\u00f3logo ainda \u00e9 controversa no Brasil. Assim, o Manual do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para o tratamento de acidentes por animais pe\u00e7onhentos desaconselha a realiza\u00e7\u00e3o do teste. Por outro lado, o Manual T\u00e9cnico do Instituto Pasteur para a Profilaxia da raiva humana indica a sua realiza\u00e7\u00e3o antes da aplica\u00e7\u00e3o do soro antir\u00e1bico. V\u00e1rios estudos t\u00eam sido realizados e a maioria deles concluiu pela contra-indica\u00e7\u00e3o e perda de tempo precioso, uma vez que o teste n\u00e3o \u00e9 preditivo nem suficientemente sens\u00edvel. Se porventura o teste for realizado, isto deve ser feito antes do uso de anti-histam\u00ednicos e\/ou corticoster\u00f3ides.<\/p>\n<p>Deve ser salientado que as rea\u00e7\u00f5es adversas \u00e0 soroterapia podem ser precoces e tardias. As rea\u00e7\u00f5es precoces ocorrem nas primeiras 24 horas e podem se manifestar desde a forma leve at\u00e9 extremamente grave. Existem pelo menos tr\u00eas mecanismos conhecidos na produ\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es precoces: o pirog\u00eanico, o anafil\u00e1tico e o anafilact\u00f3ide.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o pirog\u00eanica \u00e9 causada pela intera\u00e7\u00e3o do soro ou de endotoxinas bacterianas existentes no soro, com os macr\u00f3fagos do doente. Clinicamente o doente manifesta inicialmente arrepios de frio e posteriormente calafrios, culminando com a febre.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o anafil\u00e1tica \u00e9 mediada pela imunoglobulina do tipo E (IgE) e ocorre em indiv\u00edduos previamente sensibilizados aos produtos derivados do cavalo, entre eles a carne, o p\u00ealo e os pr\u00f3prios soros heter\u00f3logos. \u00c9 poss\u00edvel detectar esta rea\u00e7\u00e3o, pelo menos teoricamente, pela prova intrad\u00e9rmica.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o anafilact\u00f3ide n\u00e3o implica em sensibiliza\u00e7\u00e3o anterior. Por isso, pode surgir com a aplica\u00e7\u00e3o da primeira dose de antiveneno. Seu mecanismo est\u00e1 relacionado com a ativa\u00e7\u00e3o do sistema complemento pela via alternativa, sem a presen\u00e7a de anticorpos. Nesse caso, ocorre a libera\u00e7\u00e3o de C3a e C5a, denominados anafilatoxinas, que s\u00e3o capazes de degranular mast\u00f3citos e bas\u00f3filos, por meio de receptores espec\u00edficos. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o dos mesmos mediadores farmacol\u00f3gicos, respons\u00e1veis pela instala\u00e7\u00e3o de um quadro cl\u00ednico semelhante ao da rea\u00e7\u00e3o anafil\u00e1tica. A rea\u00e7\u00e3o anafilact\u00f3ide n\u00e3o \u00e9 detectada pela prova intrad\u00e9rmica.<\/p>\n<p>O tratamento da rea\u00e7\u00e3o pirog\u00eanica deve seguir a seguinte seq\u00fc\u00eancia:<\/p>\n<p>\u2014 Diminuir o gotejamento do soro ou parar a infus\u00e3o, dependendo da gravidade da rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Verificar se o doente n\u00e3o est\u00e1 recebendo outro tipo de soro concomitante que eventualmente possa estar contaminado com toxinas bacterianas.<\/p>\n<p>\u2014 Administrar dipirona (Novalgina\u00ae) 2 a 4ml pela via intravenosa. Em crian\u00e7as utilizar 10 a 15mg por quilo de peso corporal.<\/p>\n<p>O tratamento das rea\u00e7\u00f5es anafil\u00e1ticas ou anafilact\u00f3ides deve seguir o esquema a seguir:<\/p>\n<p>\u2014 Adrenalina aquosa a 1:1.000: \u00c9 a \u00fanica medida eficaz e imediata. Deve ser usada na dose de 0,3 a 1ml (0,01 mg\/kg de peso) pela via subcut\u00e2nea. Em caso de parada card\u00edaca, utilizar as vias intravenosa e\/ou intracard\u00edaca;<\/p>\n<p>\u2014 Anti-histam\u00ednicos do tipo prometazina (Fenergan\u00ae): Utilizar 0,1 a 0,5 mg\/kg de peso, pelas vias intramuscular e\/ou intravenosa;<\/p>\n<p>\u2014 Aminofilina: Nos casos de broncospasmos, utilizar 7 mg\/kg de peso (0,3 ml\/kg de peso). Al\u00e9m disso, deve-se instalar cateter de oxig\u00eanio para amenizar a hip\u00f3xia;<\/p>\n<p>\u2014 Corticoster\u00f3ides do tipo hidrocortisona (Solu-Cortef \u00ae): Utilizar 7 mg\/kg de peso corporal dilu\u00eddos em 100 ml de solu\u00e7\u00e3o glicosada a 5% e aplicar pela via intravenosa a cada 6 horas.<\/p>\n<p>O Manual do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para o tratamento dos acidentes por animais pe\u00e7onhentos preconiza que se deve ter um bom acesso venoso, deixar preparado laringosc\u00f3pio, frasco de solu\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, adrenalina (1:1.000) e<\/p>\n<p>aminofilina. A pr\u00e9-medica\u00e7\u00e3o, que deve ser aplicada cerca de 10 a 15 minutos antes da soroterapia, com o objetivo de se prevenir as rea\u00e7\u00f5es imediatas \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p>\u2014 Dextroclorfeniramina (Polaramine\u00ae): Utilizar 0,05 mg\/kg de peso por via intramuscular (m\u00e1ximo = 5,0 mg) ou prometazina (Fenergan\u00ae) na dose de 0,5 mg\/kg de peso via intramuscular (m\u00e1ximo = 25 mg);<\/p>\n<p>\u2014 Hidrocortisona (Solu-Cortef\u00ae): Aplicar 10 mg\/kg de peso (m\u00e1ximo = 1.000 mg) pela via intravenosa;<\/p>\n<p>\u2014 Cimetidina (Tagamet\u00ae): Utilizar 10 mg\/kg de peso (m\u00e1ximo = 300 mg) ou ranitidina (Antak\u00ae) na dose de 3 mg\/kg de peso (m\u00e1ximo = 100 mg) pela via intravenosa.<\/p>\n<p>A seguir o soro antipe\u00e7onhento deve ser aplicado pela via intravenosa, sem dilui\u00e7\u00e3o, durante 15 a 30 minutos, sob vigil\u00e2ncia cont\u00ednua da equipe m\u00e9dica assistente. A equipe deve manter preparadas as drogas citadas anteriormente para o eventual tratamento das rea\u00e7\u00f5es imediatas (anafil\u00e1ticas e anafilact\u00f3ides).<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es tardias, tamb\u00e9m conhecidas como \u201cdoen\u00e7a do soro\u201d, ocorrem 5 a 24 dias ap\u00f3s o emprego da soroterapia heter\u00f3loga. Os doentes podem apresentar febre, artralgia, linfoadenomegalia, urtic\u00e1ria e protein\u00faria. O tratamento \u00e9 sintom\u00e1tico \u00e0 base de aspirina nas doses de 4 a 6 g por dia para os adultos e 50 a 100 mg\/Kg de peso para as crian\u00e7as. As rea\u00e7\u00f5es urticariformes podem ser tratadas com dextroclorofeniramina (Polaramine \u00ae) nas doses de 6 a 18 mg por dia para os adultos e 0,2 mg\/Kg de peso nas crian\u00e7as. Nos casos graves pode-se usar a prednisona (Meticorten\u00ae) nas doses de 20 a 40 mg\/dia para adultos e 1 a 2 mg\/Kg de peso nas crian\u00e7as. A recupera\u00e7\u00e3o ocorre em geral 7 a 30 dias ap\u00f3s o in\u00edcio do tratamento.<\/p>\n<p>Finalizando, deve ser salientado que os acidentes por animais pe\u00e7onhentos constituem emerg\u00eancia m\u00e9dica freq\u00fcente em nosso meio, requerendo tratamento adequado e imediato, evitando com isso que muitos doentes evoluam para o \u00f3bito.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Refer\u00eancias<\/span><\/strong><\/p>\n<p>1-BARRAVIERA B., FERREIRA Jr. RS.  Acidentes por animais pe\u00e7onhentos. CEVAP-UNESP, Botucatu, 2007, 110p. ISBN  85-60229-01-9.<\/p>\n<p>2-BARRAVIERA B., FERREIRA Jr. RS.  Acidentes por animais pe\u00e7onhentos. CEVAP-UNESP, Botucatu, 2007, CD-Rom. ISBN  85-60229-03-5.<\/p>\n<p>3-BARRAVIERA B., FERREIRA Jr. RS.  Acidentes por animais pe\u00e7onhentos. CEVAP-UNESP, Botucatu, 2007, DVD. ISBN  85-60229-00-0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de Estudos de Venenos e Animais Pe\u00e7onhentos &#8211; CEVAP. Emerg\u00eancias M\u00e9dicas El Centro de Estudios de Venenos y Animales Venenosos &#8211; CEVAP ha publicado este art\u00edculo que trata de los protocolos de tratamiento de las emergencias m\u00e9dicas en los casos de mordeduras de serpientes y otros animales venenosos. 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